O leilão do Meta ficou mais caro na eleição (e não foi sua campanha que piorou)

Campanha começando a ficar cara. CPM subindo. Cliente perguntando o que aconteceu.

Antes de sair trocando criativo e pausando conjunto, vale olhar o calendário. A propaganda eleitoral começou em 16 de agosto. Primeiro turno é dia 4 de outubro. A gente tá no meio disso.

Candidato não quer o cliente do seu restaurante. Ele quer a mesma cadeira no feed. E essa cadeira agora tá mais disputada.

O Meta não tem preço fixo

É leilão. Abriu o Instagram, vários anunciantes brigam pela mesma impressão. Quem paga mais e tem anúncio melhor leva.

Quando entra campanha política, entra verba grande com prazo curto. O leilão aperta. O mesmo real compra menos.

Em 2026 isso pesa mais ainda. Google não aceita anúncio político no Brasil. TikTok também não. Então quase tudo de impulsionamento eleitoral cai no Facebook e no Instagram.

graph TB A["Mesma impressão no feed"] --> B["Empresa local"] A --> C["E-commerce"] A --> D["Campanha eleitoral"] B --> E["Leilão mais disputado"] C --> E D --> E E --> F["CPM tende a subir"]

Os números que eu fui ver

O TSE mostra o que as campanhas declaram pra Meta. Não sou eu inventando.

Em 2018 foram uns R$ 23 milhões. Em 2022 passou de R$ 123 milhões. Em 2024, nas municipais, quase R$ 200 milhões.

Agora, 2026. Com um mês de campanha, a Meta já aparece com mais de R$ 144 milhões. Mais do que a eleição inteira de 2022. E ainda falta a reta final.

xychart-beta title "O que as campanhas declararam pra Meta" x-axis ["2018", "2022", "2024", "2026 1 mes"] y-axis "R$ milhoes" 0 --> 220 bar [23, 124, 200, 144]

O de 2026 é só o primeiro mês. O de 2024 é “quase 200”, não um valor fechado. Mas a direção é clara: entrou muito mais dinheiro no mesmo lugar.

Aquele CPM de 1.800%

Em 2022 circulou um número da CNN: CPM de R$ 5,03 pra R$ 96,71 depois que a campanha oficial começou. Mais de 1.800% em quinze dias.

xychart-beta title "CPM no Facebook Ads em agosto de 2022" x-axis ["1 a 15 ago", "16 a 31 ago"] y-axis "CPM em R$" 0 --> 110 bar [5, 97]

O número existe. Só não vale copiar e colar na campanha do açougue.

Muita dessa inflação é anúncio político mesmo. Público aberto, o Brasil inteiro, 16 anos pra cima, muito dinheiro em pouco tempo. Seu negócio local não anuncia assim.

O leilão aperta? Aperta. Seu CPM pode ter subido? Pode. Em alguns lugares, sobe bastante. Agora, 18 vezes mais caro pra todo mundo? Duvido. Olha o teu gerenciador, não o titular.

Até quando isso dura

Impulsionamento do primeiro turno vai até 1º de outubro. Dois dias antes da urna, candidato some do leilão pago. Dia 4 vota. Se tiver segundo turno, a briga volta até 25 de outubro.

graph TB A["16/08 — Começa o impulsionamento"] --> B["01/10 — Fecha a janela do 1º turno"] B --> C["04/10 — Urna"] C --> D["25/10 — 2º turno, se tiver"] D --> E["27/11 — Black Friday"]

A gente tá na reta final do primeiro turno. Depois pode ter outra onda. E em novembro ainda tem Black Friday. Não é que segunda-feira depois da eleição o Meta fica barato de novo e acabou.

Não pausa no susto

Já aconteceu isso com atribuição e com venda no WhatsApp. O número da tela muda, o caixa não. Aí o gestor pausa campanha que tava vendendo.

CPM alto não é campanha ruim. Às vezes é só atenção mais cara.

Se o custo subiu e a venda acompanhou, a campanha não quebrou. Ficou mais cara de operar. São coisas diferentes.

O que eu tô fazendo

Falo pro cliente antes dele perguntar. Mostro que entrou eleição no leilão e que o Google fechou a porta. Evita o susto no relatório.

Comparo agora com o período de antes de 16 de agosto. CPM, conversa e venda. Sempre venda.

Não corto remarketing pra “economizar”. Quem já falou com você, já visitou, já pediu orçamento, compete menos com candidato. O que sofre mais é prospecção aberta, no público que todo mundo quer.

E criativo fraco agora dói mais. Anúncio que não segura atenção perde a disputa e ainda sai caro.

Se o custo sobe e o caixa não acompanha, aí eu mexo. Corto o que só gera clique curioso. Deixo o que fecha.

Resumindo

O leilão ficou mais caro porque entrou candidato com pressa e com dinheiro. Em 2026 quase não tem outro lugar pra essa verba ir.

Seu CPM pode ter subido sem a campanha ter piorado. Pausar só porque a métrica inchou é o erro de sempre.

Olha o leilão. Depois olha o caixa. A campanha certa é a que vende, não a que tá barata na tela.